Quem compra em Fuerteventura: o que os números de notários e registos significam para um condomínio
Quem compra em Fuerteventura e quem vive aqui são duas perguntas diferentes com duas respostas oficiais. O relatório dos notários de 15 de outubro de 2026 sobre o primeiro semestre, a quota estrangeira dos conservadores em Las Palmas até junho de 2026 e o registo do ISTAC a 1 de janeiro de 2025 por município, lidos para um condomínio: residentes contra não residentes, as nacionalidades e o que cada número significa para a morada, a procuração, as dívidas e a língua das atas.
Um condomínio de trinta e oito frações em Corralejo realiza a sua assembleia anual na sala de reuniões de um hotel, numa quinta-feira de outubro. Há onze proprietários na sala, outros nove enviaram uma procuração assinada, o presidente é de Milão, o tesoureiro de Leeds e a ordem de trabalhos foi traduzida duas vezes. Ninguém naquela sala precisa de um instituto de estatística para saber que os condomínios da ilha são internacionais. O que precisam, quando há que votar um elevador, cobrar um devedor que vive no estrangeiro ou fazer chegar uma convocatória a quarenta caixas de correio em seis países, é saber o que as cifras oficiais dizem de facto sobre quem compra aqui e quem vive aqui, porque não são a mesma coisa, e é na distância entre as duas que começa o trabalho de um administrador. O condomínio é inventado; as cifras não.
Contam três fontes públicas. O centro de estatística dos notários conta cada escritura de compra assinada em Espanha e diz que compradores eram estrangeiros, se viviam em Espanha ou no estrangeiro e quanto pagaram; o seu último relatório, sobre o primeiro semestre de 2026, tem a data de 15 de outubro de 2026. Os conservadores do registo predial contam as mesmas compras semanas depois, quando chegam ao registo, e publicam em cada trimestre a quota de habitações compradas por estrangeiros em cada província; o último cobre de abril a junho de 2026. O instituto canário de estatística conta as pessoas que vivem aqui, por nacionalidade e município, a 1 de janeiro de cada ano; as suas últimas cifras são as de 1 de janeiro de 2025. Esta nota lê as três tal como estavam a 21 de outubro de 2026, diz o que cada uma mede e o que nenhuma mede, e depois leva as cifras até à sala da assembleia: a língua das atas, a morada que um proprietário no estrangeiro tem de comunicar, a procuração, as dívidas e a via bancária. Cada cifra vem atribuída e datada, não há nela qualquer previsão, e a questão de saber se alguém pode ser impedido de comprar pertence ao escritório de advogados do nosso grupo, que mantém esse processo em dia.
Três contadores, três momentos da mesma venda
O Centro de Información Estadística do Consejo General del Notariado, conhecido pelas iniciais CIEN, retira as suas cifras das próprias escrituras, como diz a nota do seu relatório: Los datos ofrecidos proceden de las escrituras públicas autorizadas por los notarios en el primer semestre de 2026. Os dados provêm das escrituras que os notários autorizaram no primeiro semestre de 2026, e a escritura é o momento em que o comprador assina, pelo que a contagem dos notários é a mais precoce das três; abrange apenas a «vivienda libre», habitação livre, e regista o que a escritura regista: nacionalidade, residência em Espanha ou no estrangeiro, preço. O seu relatório público divide o país por comunidades autónomas, pelo que para nós a unidade são as Canárias; a ilha não a publica.
A Estadística Registral Inmobiliaria do Colegio de Registradores conta uma venda quando a escritura é inscrita, normalmente algumas semanas depois da assinatura, e informa em cada trimestre. Publica a percentagem das compras de habitação inscritas feitas por estrangeiros em cada província, que é o mais perto que qualquer série oficial chega de Fuerteventura: a província de Las Palmas é Gran Canaria, Lanzarote e Fuerteventura juntas, e os 875.589 residentes de Gran Canaria pesam na média provincial muito mais do que os 129.080 desta ilha. Vale a pena reter a leitura que os próprios conservadores fazem do seu mapa: La intensidad turística se configura como factor clave para la consecución de un mayor o menor peso relativo en compras de vivienda por extranjeros, correspondiendo las provincias cabeceras a provincias mediterráneas e islas con esta característica. A intensidade turística, por outras palavras, é o que decide a quota estrangeira de uma província, e as províncias da frente são mediterrânicas e insulares.
O Instituto Canario de Estadística, ISTAC, publica quem vive em cada município, por nacionalidade, a 1 de janeiro de cada ano, e define assim a sua cifra de população estrangeira: Número de personas de nacionalidad extranjera residentes en Canarias a 1 de enero de cada año. Hasta 2020, estas cifras se obtienen del Padrón Municipal de Habitantes y desde 2021, del Censo de Población. A cifra é o número de pessoas de nacionalidade estrangeira residentes nas Canárias a 1 de janeiro de cada ano, retirado do registo municipal até 2020 e do censo da população desde 2021. Essa série conta residentes, não proprietários: um proprietário que vive em Hamburgo e passa seis semanas por ano em Costa Calma está na coluna dos não residentes dos notários e em nenhuma coluna das cifras de população. Mantidas as três separadas, as cifras deixam de se contradizer.
Espanha, primeiro semestre de 2026: menos escrituras estrangeiras, preços mais altos
O relatório dos notários de 15 de outubro de 2026 conta 62.327 compras de habitação livre por estrangeiros em Espanha entre janeiro e junho de 2026, 13,0 % menos do que no primeiro semestre de 2025: Se trata del mayor descenso interanual desde el primer semestre de 2020. É a maior queda homóloga desde o primeiro semestre de 2020. Os estrangeiros assinaram 18,3 % das 341.283 compras de habitação do semestre, contra 19,2 % um ano antes e 20,3 % em 2024.
A queda não se repartiu por igual. Los extranjeros residentes concentraron el 63,2% de las operaciones, con un descenso del 9,7% frente a la primera mitad de 2025. Em contrapartida, las compraventas de los no residentes correspondieron al 36,8% restante, con un retroceso del 18,0% respecto al primer semestre de 2025, 22.940 escrituras no total, a que o relatório chama el menor volumen desde el primer semestre de 2021. Em termos simples, os estrangeiros residentes assinaram 63,2 % das escrituras e compraram 9,7 % menos do que um ano antes; os não residentes assinaram os 36,8 % restantes e compraram 18,0 % menos, o seu semestre mais baixo desde o primeiro semestre de 2021. Os preços seguiram no sentido contrário: os estrangeiros pagaram em média 2.644 € por metro quadrado, 9,4 % mais do que um ano antes, e Los extranjeros no residentes continuaron siendo el grupo que pagó los precios más elevados, con una media de 3.493 €/m², frente a los 2.102 €/m² de los extranjeros residentes y los 1.971 €/m² de los compradores nacionales. Os não residentes, isto é, pagaram 3.493 € por metro quadrado contra 2.102 € dos estrangeiros residentes e 1.971 € dos compradores espanhóis.
Por nacionalidade, Por nacionalidad, los compradores de Marruecos concentraron el mayor número de operaciones en el primer semestre de 2026, con 4.960 compraventas (8,0% del total), seguido de los de Reino Unido con 4.541 (7,3%), Italia (4.109; 6,6%), Rumanía (3.974; 6,4%) y Alemania (3.907; 6,3%). Os marroquinos vieram primeiro com 4.960 escrituras, depois os britânicos com 4.541, os italianos 4.109, os romenos 3.974 e os alemães 3.907. As duas colunas têm rostos diferentes: entre os compradores não residentes lideraram os neerlandeses com 12,6 %, depois os alemães com 11,8 %, os britânicos com 10,4 % e os poloneses com 8,1 %; entre os compradores residentes lideraram os marroquinos com 12,4 %, depois os italianos com 9,2 %, os romenos com 9,0 % e os britânicos com 5,5 %.
Os conservadores, que contam inscrições em vez de assinaturas e trimestres em vez de semestres, publicaram em agosto de 2026 uma cifra que se lê ao contrário, e ambas são verdadeiras: El peso de compras de vivienda por extranjeros durante el segundo trimestre de 2026 ha sido del 15,98% (13,92% 1T26), muy por encima del peso del mismo trimestre del año precedente (14,1% 2T25). Os estrangeiros fizeram 15,98 % das compras de habitação inscritas entre abril e junho de 2026, contra 13,92 % no primeiro trimestre e 14,1 % um ano antes. Os conservadores acrescentam que Este resultado supone el nivel máximo de la serie histórica disponible, o nível mais alto da série disponível, com pouco mais de 26.800 compras por estrangeiros inscritas no trimestre, e que En todas las comunidades autónomas se ha incrementado el peso de compras por extranjeros, ou seja, que a quota subiu em todas as comunidades autónomas. Para o conjunto de 2025 a mesma fonte tinha contado que El 13,82% de las compras de vivienda de 2025 han sido formalizadas por extranjeros, a cierta distancia del máximo de la serie histórica (14,98% en 2023), con un descenso anual de -0,78 pp, 13,82 % das compras do ano, abaixo do máximo da série, 14,98 % em 2023. Uma quota pode subir enquanto um volume desce, porque o volume dos compradores espanhóis desceu mais, e uma inscrição contada em junho pode ser uma escritura assinada em março. Nenhuma das duas séries está errada, e nenhuma é uma tendência até que a seguinte a confirme.
As Canárias e a província de Las Palmas
No semestre dos notários as ilhas estiveram entre as três regiões onde as compras estrangeiras mais caíram: Las caídas más intensas se produjeron en Cantabria (-20,5%), Islas Canarias (-20,3%) y Comunidad de Madrid (-19,7%) Em números, o anexo do relatório dá 3.694 compras por estrangeiros nas Canárias entre janeiro e junho de 2026 contra 4.635 nos mesmos meses de 2025. O preço que esses compradores pagaram subiu mesmo assim, para 3.171 € por metro quadrado desde 2.891 € um ano antes; as ilhas figuram na lista de subidas moderadas do relatório, com 9,7 %: Con avances más moderados se situaron Islas Canarias (9,7%), Islas Baleares (9,3%), Galicia (5,2%), Cataluña (3,0%) y Aragón (0,4%).
A cifra que mais importa a um condomínio é a repartição por residência, e nas ilhas é o inverso da de Espanha. Das 3.694 escrituras canárias, o relatório conta Islas Canarias (2.046 operaciones; 8,9% del total) entre as regiões onde os não residentes compraram, isto é, 2.046 compras por estrangeiros que vivem no estrangeiro, mais de metade de todas as compras estrangeiras do arquipélago, enquanto as ilhas receberam apenas 4,2 % das compras feitas por estrangeiros residentes em Espanha. A nível nacional quase dois em cada três compradores estrangeiros vivem em Espanha; nas Canárias, no primeiro semestre de 2026, a maioria dos compradores estrangeiros não vivia aqui.
A quota trimestral dos conservadores dá às ilhas o seu lugar. De abril a junho de 2026, Las comunidades autónomas que han registrado un mayor peso de compra por extranjeros durante el segundo trimestre han sido Illes Balears (32,27%), Comunitat Valenciana (31,03%), Canarias (29,33%), Región de Murcia (23,71%), Cataluña (17,63%) y Andalucía (15,95%). As Baleares, a Comunidade Valenciana e as Canárias lideram, as ilhas com 29,33 %. Por província, Las provincias con mayor peso de compra de vivienda por extranjeros durante el segundo trimestre han sido Alicante (46,43%), Málaga (37,01%), Illes Balears (32,27%), Santa Cruz de Tenerife (32,25%), Las Palmas (26,55%), Girona (25,48%), Murcia (23,71%), Almería (20,96%) y Tarragona (17,65%). Santa Cruz de Tenerife está nos 32,25 % e Las Palmas nos 26,55 %. Assim, no trimestre encerrado em junho de 2026, uma em cada quatro compras de habitação inscritas na nossa província foi de um comprador estrangeiro, e quase uma em cada três na província ocidental.
Um trimestre é uma fotografia, não um filme. No primeiro trimestre de 2026 a mesma tabela dizia Santa Cruz de Tenerife (26,05%), Girona (24,7%), Murcia (21,73%), Las Palmas (20,14%), e no segundo trimestre de 2025 Santa Cruz de Tenerife (35,72%), Málaga (33,29%), Illes Balears (28,42%), Las Palmas (24,83%). Para o conjunto de 2025 o anuário dos conservadores ordena assim as províncias: Las provincias con mayor peso de compra de vivienda por extranjeros durante el año 2025 han sido Alicante (43,29%), Málaga (32,80%), Santa Cruz de Tenerife (30,04%), Illes Balears (29,86%), Girona (25%), Las Palmas (21,72%), Murcia (21,42%), Almería (17,47%), Tarragona (15,86%) y Barcelona (14,21%). Las Palmas, portanto, marcou 24,83 % na primavera de 2025, 21,72 % em todo esse ano, 20,14 % no primeiro trimestre de 2026 e 26,55 % no segundo, um salto de mais de seis pontos num só trimestre. Um condomínio que leia 26,55 % como a nova normalidade, ou 20,14 % como a antiga, está a ler demasiado em qualquer dos dois.
O mesmo relatório trimestral dá a dimensão da província. Os conservadores contaram 3.102 compras de habitação inscritas em Las Palmas entre abril e junho de 2026, 11,2 % menos do que no trimestre anterior, 724 delas de habitação nova e 2.378 de usada; nos doze meses até junho a província inscreveu 13.336 compras de habitação, 1,0 % menos do que nos doze anteriores. O preço médio inscrito na província foi de 3.059 € por metro quadrado no trimestre, e de 2.735 € por metro quadrado nos doze meses, 14,7 % mais do que um ano antes. Nenhuma destas cifras é de Fuerteventura; cada uma é o mais perto que as séries públicas chegam.
Quem são: as nacionalidades que compram nas ilhas
O relatório dos notários nomeia as nacionalidades por região em duas frases, uma por coluna. Entre os não residentes, Los de Alemania por su parte reunieron una parte considerable de las operaciones en Islas Baleares (52,5%), Castilla-La Mancha (26,5%), Islas Canarias (22,3%) y Galicia (14,3%). Entre os residentes, Italia fue la segunda nacionalidad en volumen de operaciones (9,2% del total), con peso destacado en Islas Canarias (22,3%), Islas Baleares (16,8%), Comunidad de Madrid (13,4%) y Cataluña (11,8%), e Los compradores de Reino Unido ocuparon el cuarto lugar (5,5% de las operaciones) y alcanzaron especial relevancia en Andalucía (11,2%), Región de Murcia (9,5%), Islas Canarias (8,4%) e Islas Baleares (8,1%). Lidas em conjunto: no primeiro semestre de 2026 mais de uma em cada cinco compras de não residentes nas Canárias foi alemã, mais de uma em cada cinco compras de residentes foi italiana, e os britânicos estiveram em ambas as colunas sem liderar nenhuma.
O anuário de 2025 dos conservadores diz o mesmo do arquipélago no seu conjunto: os compradores britânicos lideram as compras estrangeiras na Andaluzia, em Múrcia e na Comunidade Valenciana, alemanes en Illes Balears, franceses en Cataluña, italianos en Canarias, chinos en Comunidad de Madrid: alemães nas Baleares, franceses na Catalunha, italianos nas Canárias, chineses em Madrid. Para o país, o último trimestre dos conservadores coloca os britânicos em primeiro com 6,99 % das compras estrangeiras, os neerlandeses com 6,94 %, os alemães com 6,11 % e os marroquinos com 6,09 %.
O que um condomínio deve retirar daqui não é uma classificação mas um mapa de línguas e de hábitos. Um proprietário italiano é, as mais das vezes, um residente com morada em Espanha, conta bancária espanhola e um conhecimento suficiente da língua das atas; um proprietário alemão é, as mais das vezes, um não residente que precisará da ordem de trabalhos com antecedência, de uma procuração e de uma via para pagar as quotas a partir de uma conta estrangeira; um proprietário britânico pode ser qualquer dos dois e, desde 2021, é nacional de um país fora da UE para toda regra que disso dependa. As cifras não dizem qual dos seus proprietários é qual. Dizem que um condomínio de Fuerteventura deve esperar os três.
Quem já vive aqui: o registo da ilha, município a município
Os notários contam compradores; o ISTAC conta vizinhos. A 1 de janeiro de 2025 a ilha tinha 129.080 residentes, dos quais 40.402 de nacionalidade estrangeira, o que, segundo a nossa aritmética a partir dessas duas contagens, é um pouco mais de 31 %. As maiores comunidades estrangeiras eram a italiana, 9.802 pessoas, depois a colombiana com 4.817, a alemã com 4.012, a marroquina com 3.707 e a britânica com 3.673, seguidas a distância pelos poloneses com 944, os venezuelanos com 905 e os franceses com 886. A série subiu todos os anos desde 2022: 35.130 estrangeiros a 1 de janeiro de 2021, 34.682 em 2022, 37.421 em 2023, 39.011 em 2024 e 40.402 em 2025, enquanto o total da ilha passava de 119.278 para 129.080. O arquipélago no seu conjunto contava 2.258.866 residentes e 342.612 estrangeiros, com os italianos de novo como maior grupo, 55.553.
A ilha não é um só mercado, e os municípios mostram-no. A tabela dá, para cada um dos seis, os residentes a 1 de janeiro de 2025, os estrangeiros entre eles e os três grupos maiores, tudo das cifras de 2025 do ISTAC.
| Município (residentes a 1 de janeiro de 2025) | Estrangeiros e os três grupos maiores |
|---|---|
| La Oliva (29.864) | 13.705 — italianos 5.310 · britânicos 1.589 · alemães 1.002 |
| Antigua (14.027) | 6.429 — britânicos 1.766 · italianos 1.588 · marroquinos 446 |
| Pájara (21.254) | 7.104 — alemães 1.918 · marroquinos 1.153 · italianos 750 |
| Puerto del Rosario (46.182) | 9.472 — colombianos 2.683 · italianos 1.785 · marroquinos 885 |
| Tuineje (16.948) | 3.552 — colombianos 758 · alemães 493 · marroquinos 476 |
| Betancuria (805) | 140 — alemães 64 · marroquinos 26 · italianos 13 |
| Fuerteventura (129.080) | 40.402 — italianos 9.802 · colombianos 4.817 · alemães 4.012 |
| Canárias (2.258.866) | 342.612 — italianos 55.553 · colombianos 32.381 · venezuelanos 28.200 |
Dois municípios, La Oliva e Antigua, têm quase um estrangeiro por cada espanhol: segundo a nossa aritmética, 13.705 de 29.864 e 6.429 de 14.027 estão ambos logo abaixo de 46 %. Em La Oliva, que é Corralejo, El Cotillo e Lajares, só os italianos são 5.310 pessoas, mais do que os quatro grupos seguintes juntos. Em Antigua, que é Caleta de Fuste, os britânicos são o maior grupo estrangeiro, 1.766, e é o único município onde o são. Pájara, de Costa Calma a Morro Jable, é o município alemão, 1.918, com os residentes marroquinos como segundo grupo. A capital e Tuineje são outra coisa: um em cada cinco residentes tem passaporte estrangeiro, e o maior grupo em ambos é o colombiano, 2.683 em Puerto del Rosario e 758 em Tuineje, pessoas que compram, quando compram, como residentes.
Para comparação, Lanzarote contava 166.878 residentes e 41.020 estrangeiros, Gran Canaria 875.589 e 89.813, Tenerife 966.469 e 153.696; e Espanha, segundo a contagem provisória do instituto nacional a 1 de julho de 2026, 49.801.559 residentes e 7.437.543 estrangeiros, 87.197 mais do que três meses antes. O peso dos residentes estrangeiros em Fuerteventura é o mais alto das quatro ilhas maiores, com alguma distância, e isso antes de contar um único proprietário não residente.
Residente ou não residente: a única distinção que um condomínio sente todos os meses
As duas colunas dos notários são a mesma distinção que a lei da propriedade horizontal traça na prática sem nunca usar a palavra. Um proprietário que vive na ilha recebe a convocatória na fração, paga por débito direto espanhol, vai a pé à assembleia e lê a ata na língua em que foi escrita. Um proprietário que vive no estrangeiro tem de ser contactado, representado e cobrado, e a lei dá ao condomínio três instrumentos para isso, cada um dos quais só funciona se o proprietário o usar.
O primeiro é a morada. O artigo 9.1.h da lei faz de cada proprietário o dever de Comunicar a quien ejerza las funciones de secretario de la comunidad, por cualquier medio que permita tener constancia de su recepción, el domicilio en España a efectos de citaciones y notificaciones de toda índole relacionadas con la comunidad. Cada proprietário, isto é, tem de comunicar ao secretário, por um meio que prove a receção, uma morada em Espanha para toda notificação relacionada com o condomínio. A lei diz depois o que acontece quando o proprietário no estrangeiro não o fez: En defecto de esta comunicación se tendrá por domicilio para citaciones y notificaciones el piso o local perteneciente a la comunidad, surtiendo plenos efectos jurídicos las entregadas al ocupante del mismo. Sem essa morada, a própria fração é a morada, e uma notificação entregue a quem a ocupa produz plenos efeitos jurídicos. Se a fração está vazia e a notificação não pode ser entregue lá, se entenderá realizada mediante la colocación de la comunicación correspondiente en el tablón de anuncios de la comunidad, com plenos efeitos três dias depois. Um proprietário de Munique que nunca comunicou uma morada em Espanha fica, em direito, notificado de cada assembleia e de cada deliberação por uma folha de papel num quadro em Costa Calma. A nossa nota sobre as obrigações de um proprietário não residente explica o que mais decorre daí, incluindo o calendário fiscal, que não é assunto do condomínio mas é do proprietário.
O segundo é a procuração. O artigo 15.1 não podia ser mais simples: La asistencia a la Junta de propietarios será personal o por representación legal o voluntaria, bastando para acreditar ésta un escrito firmado por el propietario. A presença é pessoal ou por representante, e um escrito assinado pelo proprietário basta para provar a representação. Basta uma carta assinada; nem notário, nem apostila, nem forma especial. O proprietário que não pode apanhar o avião para a assembleia mantém o voto enviando o papel, e a convocatória da assembleia anual, que segundo o artigo 16.3 tem de sair cuando menos, con seis días de antelación, pelo menos seis dias antes, é o momento de decidir a quem a enviar. O nosso guia da assembleia quando se vive no estrangeiro percorre a convocação, a procuração e as maiorias.
O terceiro é o quórum, e é aqui que as cifras mais mordem. O artigo 16.2 dispõe que, se a primeira convocatória não reunir a maioria dos proprietários que representem a maioria das permilagens, se procederá a una segunda convocatoria de la misma, esta vez sin sujeción a «quórum», que pode realizar-se no mesmo dia meia hora depois. Um condomínio em que mais de metade dos proprietários estrangeiros vive no estrangeiro, que é o que a coluna canária dos notários descreve, reúne-se em segunda convocatória quase por regra, e as deliberações são então tomadas pelos presentes e representados. É legal, e é também a razão pela qual a procuração conta aqui mais do que num prédio de Madrid.
Dívidas, línguas e via bancária: as cifras na assembleia
As dívidas são o ponto em que a residência se torna custo. O artigo 15.2 deixa participar os proprietários em atraso com as quotas mas diz que podrán participar en sus deliberaciones si bien no tendrán derecho de voto, e o artigo 16.2 exige que La convocatoria contendrá una relación de los propietarios que no estén al corriente en el pago de las deudas vencidas a la comunidad. Cobrar uma dívida a um proprietário que vive em Lyon ou em Leeds segue o mesmo procedimento espanhol que a de um que vive no andar de cima, mas cada passo que depende de chegar ao devedor, da interpelação à citação judicial, passa pela morada do artigo 9.1.h, e um devedor sem morada em Espanha é um devedor mais lento. A nossa nota sobre as quotas em atraso expõe a via e o prazo de cinco anos que o Supremo Tribunal fixou em 2025.
As línguas seguem diretamente da tabela acima. Num condomínio de La Oliva a sala terá proprietários italianos, ingleses e alemães, mais ou menos por essa ordem; em Pájara, alemães primeiro; em Antigua, ingleses primeiro. A lei não tem qualquer regra de língua: as atas são lavradas no livro em espanhol, e o artigo 19.3 diz apenas que El acta de las reuniones se remitirá a los propietarios de acuerdo con el procedimiento establecido en el artículo 9. A ata chega aos proprietários pelo procedimento do artigo 9, isto é, à morada do artigo 9.1.h. Tudo o resto é um serviço que o condomínio compra ou que um administrador presta: uma presidência bilingue, uma ordem de trabalhos traduzida, um resumo da ata nas línguas dos proprietários. A nossa nota sobre a língua das assembleias e das atas explica o que vale uma tradução em direito e o que vale na prática.
A via bancária é a silenciosa. Um estrangeiro residente paga como qualquer vizinho; um não residente paga a partir de uma conta alemã, italiana ou britânica, e um condomínio cujo orçamento assume débitos diretos espanhóis gastará as horas do seu administrador em recibos devolvidos, a menos que as quotas possam ser cobradas por débito direto SEPA a partir de qualquer conta da zona euro e por transferência de fora dela, com um recibo por cada cobrança. É uma questão do contrato do administrador mais do que da lei, e que vale a pena colocar antes do próximo orçamento, não depois.
O que as cifras não dizem, e o limite que não existe
Três coisas que as cifras não lhe podem dizer. Não lhe podem dizer quantos proprietários do seu próprio condomínio são estrangeiros ou ausentes: nenhuma série pública conta proprietários por edifício, e o único registo que o faz é o do próprio condomínio, a lista de moradas do artigo 9.1.h, que o administrador mantém e que as regras de proteção de dados guardam dentro do condomínio. Não lhe podem dizer a quota estrangeira das compras em Fuerteventura: os conservadores param na província e os notários no arquipélago, e qualquer percentagem da ilha que leia na imprensa é a estimativa de alguém. E não lhe podem dizer para onde vai o mercado: um semestre em que as escrituras estrangeiras caíram 13 % enquanto a quota estrangeira das inscrições batia um recorde é um aviso contra ler qualquer dos dois como uma direção.
Sobre a questão que enche os jornais da ilha, se os não residentes podem ser impedidos de comprar, a situação a 21 de outubro de 2026 é que nenhuma regra canária, espanhola ou europeia limita quem pode comprar uma habitação nas Canárias; que a proposta de lei da habitação acessível da Comissão Europeia de 9 de setembro de 2026 permitiria limites por uso, não por passaporte, e é uma proposta; e que o Governo canário insiste em mais. Numa declaração ao parlamento regional noticiada a 13 de outubro de 2026, o seu conselheiro da habitação disse que o Governo tinha enviado a Madrid um conjunto de emendas à proposta europeia para que as regiões ultraperiféricas pudessem limitar, por um tempo, a compra, o uso e o arrendamento de habitações por estrangeiros não residentes, No pedimos un privilegio, pedimos que el Reglamento aplique el artículo 349 del Tratado de la Unión, con medidas temporales, proporcionadas y complementarias a la construcción de vivienda, não pedimos um privilégio, disse, apenas que o Regulamento aplique o artigo 349 do Tratado, com medidas temporárias e proporcionadas que complementem a construção de habitação; e a 16 de outubro a imprensa noticiou um projeto do Governo que exigiria dez anos de inscrição como residente para comprar. Ambas são propostas. O único limite realmente em vigor tem cinquenta anos e diz respeito ao solo rústico e aos compradores de fora da UE. O escritório de advogados do nosso grupo mantém esse processo, com as suas datas, numa nota que é atualizada à medida que o debate avança.
O que fazemos
Metade dos proprietários que servimos vive no estrangeiro, e a nossa administração para proprietários não residentes está construída à volta dessa cifra e não apesar dela. Para um proprietário no estrangeiro levamos a procuração ou organizamos a participação digital onde os estatutos o permitem, enviamos a ordem de trabalhos antes da assembleia e o resultado depois, em inglês, e mantemos atas, contas e comunicações em inglês e espanhol, com resumos em alemão a pedido. As quotas são cobradas por débito direto SEPA a partir de qualquer conta da zona euro, com contas britânicas e de outros países aceites e um recibo por cada cobrança. As ocorrências são comunicadas a partir do telefone do proprietário e fechadas com fotografias de antes e depois; o IBI, as datas de inspeção e as renovações de seguros são acompanhados com lembretes antes de vencerem; cada proprietário recebe um relatório trimestral que se lê em cinco minutos e dispõe de um portal do proprietário com cada documento e cada voto. As perguntas são respondidas em 24 horas a partir de três pontos de atendimento na ilha, por uma firma cuja responsável é inscrita na ordem dos advogados de Las Palmas desde 1998. Se o seu condomínio está a perceber como funcionar com proprietários em seis países, envie-nos o formulário e terá um honorário fixo, com o seu âmbito, num dia útil.
Perguntas frequentes
Há uma cifra oficial de compradores estrangeiros só para Fuerteventura?
Não. O relatório público dos notários para nas Canárias e o dos conservadores na província de Las Palmas, que também contém Gran Canaria e Lanzarote. No trimestre encerrado em junho de 2026 os conservadores colocam a quota estrangeira das compras de habitação inscritas na província em 26,55 %, e para o conjunto de 2025 em 21,72 %. Qualquer percentagem só para a ilha é uma estimativa de quem a publica.
Quantos dos proprietários do meu condomínio vivem no estrangeiro?
Nenhuma estatística pública o sabe. A aproximação mais próxima é a repartição por residência dos notários para o arquipélago, onde no primeiro semestre de 2026 mais de metade das compras estrangeiras, 2.046 de 3.694, foi de não residentes. A única contagem fiável é a do próprio condomínio: as moradas para notificações que cada proprietário tem de comunicar segundo o artigo 9.1.h, que o administrador mantém. Peça o número, não os nomes.
A lei trata de forma diferente um proprietário não residente?
Não. Os deveres são os mesmos: pagar as quotas, comunicar uma morada em Espanha para notificações, respeitar as regras. O que muda é a prática: sem morada espanhola o proprietário é notificado na fração e depois no quadro; sem procuração o proprietário não tem voto; sem uma conta europeia ou britânica preparada de antemão as quotas chegam tarde. As obrigações fiscais de um não residente são outra lista e não são assunto do condomínio.
Vem aí um limite às compras por não residentes?
Nada está em vigor e nada foi aprovado. A 21 de outubro de 2026 o Governo canário enviou a Madrid emendas à proposta de lei da habitação acessível da Comissão Europeia e redigiu um requisito de residência para os compradores, ambos noticiados em meados de outubro; a própria proposta europeia permitiria limites por uso, não por nacionalidade, e continua a ser uma proposta. O escritório de advogados do nosso grupo segue o processo e data cada passo.
Os notários dizem que as compras estrangeiras caíram 20 % nas ilhas. O meu condomínio deve esperar menos proprietários do estrangeiro?
A cifra compara as escrituras assinadas no primeiro semestre de 2026 com as do primeiro semestre de 2025 e não diz nada sobre um edifício em particular nem sobre o semestre seguinte; nos mesmos meses os conservadores registaram a quota estrangeira das compras mais alta da sua série. Um condomínio planeia para os proprietários que tem: os da lista do artigo 9.1.h, com as suas moradas, as suas procurações e as suas contas bancárias.
Mais do blogue